Chorando, ela se entregou aos seus braços. Sua mão tentou arrancar-lhe o cinto, abrir-lhe o zíper, mas esses foram gestos desajeitados, em vão. Ela soltou um gemido. Pura dor. Ele não agüentou mais.

   Beijou-a de novo. Beijou-lhe o pescoço quando ela jogou a cabeça para trás. Apanhou-a depois no colo e a carregou devagar atravessando a sala e subindo a escada de ferro, caminhando lentamente pelas curvas, até entrar num quarto amplo e escuro voltado para o sul. Jogaram-se numa cama baixa.

   Ele a beijou novamente, alisando seu cabelo para trás, adorando a sensação da sua pele mesmo através das luvas, olhando para seus olhos fechados, para os lábios entreabertos, indefesos. Quando tentou puxar o suéter, ela se esforçou para ajudar e afinal o arrancou pela cabeça, deixando o cabelo lindamente despenteado.

   Quando ele viu seus seios através da fina proteção de náilon, ele os beijou mesmo por cima do tecido, numa provocação proposital a si mesmo, com a língua tocando o círculo escuro do mamilo antes de afastar o sutiã. Como seria a sensação do couro preto tocando sua pele, acariciando-lhe os seios?

   Ele os levantou para beijar a curva morna debaixo deles (adorava essa dobra excitante) e chupou os bicos com força, segurando e massageando a carne com a palma da mão.

   Ela se contorcia por baixo dele, com o corpo aparentemente indefeso, os lábios roçando o queixo mal barbeado, depois macios e doces sobre sua boca, as mãos se esgueirando para dentro da camisa a tatear seu peito como se adorasse sua firmeza.

   Enquanto ele chupava os bicos dos seus seios, ela beliscava os dele. Ele estava tão duro que não ia mais agüentar. Parou, ergueu-se nas mãos, tentou recuperar o fôlego e depois se deixou cair ao seu lado. Ele sabia que ela estava tirando os jeans. Puxou-a para perto, sentindo a carne lisa das suas costas e descendo para a curva de suas nádegas gostosas de agarrar e de apertar.

   Não havia mais como esperar. Nenhuma condição. Num impulso de impaciência, ele tirou os óculos e os jogou na mesa-de-cabeceira. Agora, ela era um borrão delicado e apetitoso, mas os detalhes físicos que ele havia visto não sairiam do seu pensamento. Ele estava por cima. A mão dela procurou sua cintura, abriu o zíper das calças e tirou seu sexo para fora, sem delicadeza, dando-lhe tapas como se quisesse verificar sua firmeza, um pequeno gesto que quase o fez gozar. Ele sentiu as cócegas dos pêlos crespos, o calor dos lábios internos e finalmente a própria bainha tensa, pulsante, quando ele a penetrou.

   Pode ser que ele tenha gritado. Ele não sabia. Ela se ergueu no travesseiro, com a boca presa à dele, os braços puxando-o para si, a bacia grudada à dele.

   – Mete gostoso – sussurrou ela. Foi como o tapa: um aguilhão que fez chegar à ebulição sua fúria contida. Suas formas frágeis, sua carne macia, frágil, tudo só o instigava. Nenhum estupro imaginado que ele pudesse ter cometido em sonhos secretos e inexplicáveis jamais havia sido mais brutal.

   Seus quadris batiam com força nos dele. E ele viu vagamente o rubor do seu rosto e os seios nus enquanto gemia. Ao penetrar nela repetidamente, ele viu seus braços abertos, largados, um instante antes de fechar os olhos e explodir dentro dela.

   Afinal, exaustos, eles se separaram, caindo entre os lençóis de flanela. Seus braços que antes estavam entrelaçados no dele, esticado. O rosto dele, mergulhado nos seus cabelos perfumados. Ela veio se aconchegar. Puxou o lençol solto, esquecido, de modo a cobrir os dois. Ela se voltou para ele e se aninhou no seu ombro.

(Anne Rice – A Hora das Bruxas)

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