Tags

, , ,

E já que eu estava ali, poderia fazer daquele momento de tédio algo mais divertido, mas não sabia o quê. Eram 14:30 a fila para comprar convite do show estava longa, eu um pouco cansada, mas, sem falsa modéstia, continua bonita e cheirosa em meu vestido-preto-sóbrio-sensual. Sim, tudo isso.

De repente uma moça começa a reclamar, outra também e aquela confusão de vozes sufocando a voz do guarda que tentava acalmar o povo naquela fila tediosa.

Eu olhei para os lados, aquele olhar de desdém misturado com falta de paciência. Foi então que o vi. Ele vestia um jeans velho e camiseta branca. Era o ultimo da fila. Eu estava a dez pessoas a sua frente. Que bonito, pensei. Mas voltei a olhar para outra direção. Contornei, olhei para trás de novo e lá estava ele, o bonito da fila, o ultimo.

Ele transparecia muita calma, parecia realmente não se importar com aquela fila, me interessei. Seus cabelos pretos quase tocavam seus ombros (largos). Assustei-me quando o vi caminhando em minha direção. Senti borboletas no estomago e pensei “ele não pode estar caminhando para falar comigo”. Foi então que ouvi sua voz próxima ao meu ouvido. “Eu sei que vale a pena a fila para ver Echo & The Bunnymen, mas se você preferir…” Não o deixei terminar a frase e disse: “Vamos sair daqui”.

Ele pegou em minha mão, saímos da fila como dois conhecidos, mas eu ainda não sabia o seu nome. Entramos numa rua estreita, senti um certo medo. Mas já fazia uns três minutos que caminhávamos pelas ruas de São Paulo, ele falava sem parar contando sobre ele mesmo. Eu pensava comigo que mesmo contando tantas coisas ele ainda parecia tão misterioso.

Paramos em frente a um prédio antigo. Aqui é minha casa, que conhecer? Sim, eu disse, morrendo de medo. Ele sorriu, acho que sentiu meu medo, mas não disse nada.

Chegando lá me admirei com a organização da casa, era tudo tão novo e limpo, apesar de muitas coisas espalhadas pelo chão e pela mesa. A cozinha aparentava ser o lugar menos freqüentado da casa. Homens!

Fui direta ao ponto. O que estamos fazendo aqui? Como é o seu nome? Ele sorria, cruzando os braços enquanto mordia uma maça. Aquilo foi sexy demais, mas me contive. Meus lábios já desejavam os dele, percebi que era recíproco. Ele queria sexo com uma desconhecida? Não ousaria contar meu nome. Vamos permanecer misteriosos, eu disse, a um passo de beijá-lo.

Ele me beijou sem medo, sem fragilidade alguma. Beijo docê. Um homem que sabe o que quer beijando uma mulher faminta. Tirei-lhe a roupa, pude sentir seus braços pulsarem por mim. Ele soltou lentamente botão a botão do meu vestido dizendo que eu estava ali por conta daquele vestido. Você está deliciosa com este vestido, quando a vi não tive dúvidas que eu precisava ter você assim. Achei engraçado esse cuidado dele com as palavras. Outro homem já diria “sua vadia, sabia que queria ser fodida assim que te vi lá na fila”. Mas não, ele não me disse nada disso, apesar de ser uma grande verdade.

Aí, neste exato ponto, chego num limite entre o real e o imaginado, não sou escritora de romances sexuais. Não sei mais o que ouve. Eu já estava nua. A luz do sol entrava por toda a casa, não senti vergonha de nada, me entreguei aquele desconhecido. Ele era tão gostoso, e cada vez que eu pensava ouvir uma frase suja ele limitava-se a fazer elogios simples. Isso me dava muito mais tesão.

Eu senti seu pau todo dentro de mim. Ele me olhou nos olhos e permaneceu assim enquanto fazia um vai-e-vem tão gostoso. Estávamos na cozinha, na mesa. Eu não ousava a falar, já não sabia o que eu estava fazendo. Nos beijamos. E com as mãos em minha cintura percebi que ele queria me comer de costas. Vire-me, ele me penetrou mais uma vez, tão preciso, tão vigoroso, tão intenso. E eu queria mais. Ele segurava meu cabelo com uma mão, a outra tocava meu seio, eu gemia. Gozamos.

Naquele momento quase perguntei o seu nome, mas mantive minha palavra. Vamos ficar em silêncio, que mal há nisso. Palavras confundem, enganam, fingem.

Fui embora. Anotei meu telefone num papel a pedido dele, mas não marquei meu nome. Como saberei que é você? Eu direi ‘Lips Like Sugar’. (uma música da banda Echo & The Bunnymen)

Anúncios